domingo, 18 de março de 2018

Mil preces


Deus, seria pecado pedir alguém
Alguém pra vida inteira,
Inteira pra mim,
A mim, que assim seja.

O claro de seus olhos,
Olhos que eu não esqueço
Esqueço-me do mundo
Teu mundo que desejo.

O jeito de menina,
Menina que me fascina,
Fascina o seu jeito,
Jeito que me desatina

Jesus me guia,
Guia pra ela,
Ela que me traz,
Trás toda a alegria.


Buda, Alá, Jeová
Jeová és testemunha
Testemunha do meu amor,
Meu amor em silencio que comuna.

Junto as mãos,
Mãos que querem entrelaçar
Entrelaçar nas tuas,
Tuas vestes no chão
No chão do meu quarto,
No quarto, na cozinha, na lua.



segunda-feira, 5 de março de 2018

Não posso, mas quero!


É como ir a lua,
Sem ser da NASA,
Querer você de corpo e alma,
e não  ter nada.

É como fazer uma cirurgia,
Sem ser médico,
Te abraçar por horas,
e te tirar do tédio.

É como fazer um gol,
Sem saber jogar futebol,
Ter você como o sol,
e a chuva levar o que me encantou.

É como dar aula de todas as matérias,
e não saber direito português,
Beijar suas artérias,
Mas sem você morrer de escassez.

É não poder,
e não existir verso pra continuar,
a não ser,
Te querer, e te amar, até o amanhecer.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Destino surdo


Os lençóis bagunçados,
No sofá, na cama, na cozinha.
Era meu corpo ao teu lado,
Atrás ou em cima.

Entre farpas, mágoas,
Palavras, retardadas,
Fiquei a esperar,
Um dia na tua porta de novo estar.

Em caminhos diferentes,
Tropecei nas pedras que criei,
E você tornou em teu ventre,
O desejo que contigo sonhei.

Não era meu,
não estava lá,
havia outro,
em meu lugar.

O silêncio ensurdecedor,
de uma distância ensurdecedora,
Fazem os sons mais surdos,
Se sucederem.

Meus dedos que tocam peles,
que não se comparam às tuas,
Brancas como a nuvem,
Vagando dissolutas.

Criamos muros,
Longos, putos,
Orgulhosos,
Desdenhosos.

Não te espero na esquina da vida,
Espero-te do fundo do meu coração,
À cada batida.

Talvez futuramente,
Nossos descendentes,
Tenham em mente...

De se juntarem e realizarem,
o que poderia ser você e eu,
Eternamente.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Desacreditar


Não acredito no mar,
Nem no ar,
Nem na selva,
Ou na relva.

Não acredito em casamento,
Em firmamento,
Nem no grande amor,
Que nunca fui e nem sou.

Não acredito em palavras,
Ou abracadabras,
Nem em atitudes,
Ou latitudes.

Não acredito em declaração,
De amor ou imposto de renda,
Na alegria ou na tormenta,
Muito menos na sua canção

Mas bem,
Talvez seja haloween,
Ou qualquer outra data comemorativa,
Que me faz acreditar nesta radioativa vida.

De qualquer forma.
Também não acredito na morte,
Afinal ela prefere outras pessoas,

Ainda.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

À esperar por ela

Ela com seus cabelos longos,
Rosto atento,
Saindo da adolescência,
Livrando-se de algum tormento.

Ele passou dos trinta,
Comprando tinta,
Pra pintar a casa,
À esperar por ela.

Ela desconfia dos homens,
E apesar de sua intensidade,
Prefere se resguardar,
Pra não transformar seu coração em calamidade.

Ele escreve versos,
Tira a barba,
Vai a praia,
À esperar por ela.

Ela estuda,
Briga com os pais,
Briga com o universo,
Acha quase tudo um tédio.

Ele liga a TV,
Assiste a um bom filme,
Faz aquela pipoca,
À esperar por ela.

Ela abre o livro,
Tenta estudar,
E com a matéria atrasada,
Pensa, resolve questão, e mais nada.

Ele prepara a aula,
Prepara o jantar,
Coloca duas taças de vinho,
À esperar por ela.

E isso não tem nada a ver comigo.
Só coloquei em versos,
Alguém ansiosamente,
À esperar por ela.