quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Quente sem calor.

"Sem entregar,
 a minha alma não transpassar,
 e meu suor não juntar ao teu,
 parecendo até que romeu pereceu.

Que entre sussurros supostamente verdadeiros,
achava eu derradeiro,
nós dois,
no meio do mundo inteiro.

Engando meu,
num fardo sexualmente enfadado,
de laços,
que não foram entrelaçados.

E aqui te olho depois do ato,
Você ao meu lado,
tão distante,
quanto uma jovem viajante.

Então sequer meu corpo estremece,
e então adormece,
e por mais que teu corpo me peça,
melhor eu vestir as vestes."

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Pistas invisíveis


Foram migalhas de pão,
deixados como uma trilha...
...discreta de saudade,
de pedaços de minh'alma.

São músicas,
frases curtas,
versos concisos,
orações diminutas.

Algo que só você reconhece,
oriunda do meu orgulho,
destruído pela sua prece,
e dos desenganos que se sucedem.

Siga,
Siga-me.
Sinta,
Sinta-me.

Não precisa ter medo,
quando você chegar,
estarei no mesmo lugar,
do ponto do seu desfecho.

Na verdade o fim do lado de fora,
é uma estrada infinita,
de um eterno mudo amor,
do lado de dentro.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Não tens idade



"Não tens idade,
 Não tens idade,
 Para amar-me,
 Não tens idade.

 Pelo visto,
 Consolarei-me,
 Em ti só pensar,
 Em imaginar...

  Nós dois juntos,
  Na beira da praia,
  No teu sofá,
  Mas por quê?

 Deixe que viva,
 Um amor tão romântico,
 Pelo menos,
 Na duração de um cântico...

 Mas eu sei...
 Que não tens idade...
 Mas isto não me impedirá,
 De te amar.

 Eu já vivo,
 Sonhando com você,
 E se eu não acordar,
E se eu não acordar,

Não me desperte."

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Estilhaços

Estilhaços que ferem,
Que uma dor conferem,
Pontadas agudas no peito,
Na alma e na calçada.

Estilhaços de um vaso,
Quebrado com recordações,
Do volume mudo de nossas canções,
De um bem ou mal amado.

Estilhaços de uma taça,
Espatifada na parede,
E seu copo de aguardente,
Cheio de um amor dormente.

Estilhaços levados,
Pelo vento como poeira,
das coisas erradas que você cheira,
por aí numa sexta-feira.

Estilhaços de um botão,
Rompido pela pressa,
Do seu short tirado,
Naquele carro às avessas.

Estilhaços de tiros,
No vidro do meu quarto,
Atingindo apenas,
O meu ventrículo ao lado.

 Este tiro foi seu,
Que apenas em mim causou,
Desprezo e ,

Estilhaço.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Dores compartilhadas.



Com uma dor de dente,
Remete-me novamente,
à momentos sumidos e latentes.

Aqui estou eu,
Ao lado da cama,
Em um tamborete.

Não consigo dormir,
Ouço gemidos de dor,
estou preocupado com você.

Mas achei que estivesse olhando,
alguém deitado tão próximo assim,
só que ao meu lado, nada além de mim.

E como uma alma transcendental,
percebo que lágrimas caem,
assinando meu testamento. 

Lamento,
A analgesia afetou também,
o teu amém.