sexta-feira, 17 de julho de 2015

Cegos que enxergam.


Que sorte em  enxergar,
De dentro e sentir o mar,
De fora e com toda força,
E de verdade alguém amar.

Querida anônima,
Enxergas como eu,
Com os olhos de dentro,
Deixando seu corpo ser jogado
 contra a rajada de vento.

Também sou assim,
De enfrentar tudo, todos,
De cegar os olhos,
Amando intensamente,
Alguém que não és tu.

A pessoa que me entreguei,
Só enxerga com os olhos de fora,
E acabou perdendo a hora,
do romance.

Queria muito,
Que apenas uma pessoa
Me olhasse com a alma,
Bem devagar e com calma.

Mas isso não aconteceu,
E alguém achar que amarei outrem,
Será meramente,

Engano seu.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

No lado centro-esquerdo do peito





E então fui acertado.
Entre grosseria e mentira,
Tive meu coração dilacerado,
Uma dor  tão conhecida e já amiga.

Amiga porque sempre aceitei ela voltar,
Voltar pra me desnortear,
Como uma canção que estoura meus tímpanos,
E me destruindo no meu mais dentro íntimo.

Amar não é doer,
Mas amar só,
É sofrer,
É adoecer.

Não existe nenhuma droga pra cura,
Quando a cura é estar sentindo dor.
Chorar, chutar o mundo,
Ter o orgulho próprio, desnudo.

São lágrimas,
Que não mais escorrem.
Pois mesmo que elas se formem,

Irão cristalizar, como meu coração.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Por que, João? PARTE FINAL


E chegou o grande dia,
O dia do final feliz,
E quem vê hoje João,
Nem imagina.

João não casou,
João não teve seu Joãozinho,
E continuará pra sempre sozinho.
Feliz por que, João?

Porque ele amou,
Amou com todas as forças,
Com tudo que ele tinha,
Enfrentando a tudo e à todos.

João enfrentou ele mesmo,
Seus obstáculos, preceitos,
Tudo jogado na lata do lixo,
Em nome desse amor perfeito.

Ele sorri,
Lembra dos bons momentos,
Das suas lutas pra ter sua amada,
Da despedida que ele teve tão amarga.

Mas sei lá,
Por certo o orixá,
Fez ele enxergar,
Que isto de fato é amar.

João não se arrependeu de nada.
Encontra-se sentado nessa sala,
Ouvindo sua radiola,
Sentindo gosto de graviola.

Para ele,
Os homens são infelizes,
Pois jamais amarão,
Com a alma e o coração.

Agora ele poderá finalmente morrer,
Morrer feliz,
E quem sabe na eternidade,
Poder viver pela sua amada.

Em qualquer vida que ele tiver,
Estará gravado na sua existência,
Que a ama e sempre a amará,
Podem ter certeza.


Agora eu sei, João.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Silenciosamente imortal.



Não morreu.
Está mais forte,
mais terno,
mais sincero.

Curando as feridas,
Cicatrizando a alma,
Observando o vento  levar,
as lágrimas que farão a poeira baixar.

De uma certa forma,
ele perdeu a fala.
Perdeu endereços,
perdeu adereços.

Mas pelo  menos ele soltou a mão,
do ódio,
do desencanto,
do fim.

Ele vive!
O amor não morreu!
Apenas da sua amada,
se escondeu.

Justo e,

Isto é tudo.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

O mal que venceu o bem.

Um grito,
Que venceu um gemido de amor.
Arranhões,
Que dilaceraram uma parede firme de respeito.

Injúrias,
Que venceram a confiança,
Agressividade,
Que derrotou o carinho.

Brigas,
Que venceram as reconciliações,
Acusações,
Que derrotaram  a credibilidade.

Abandonos,
Que venceram os abraços,
Empurrões,
Que derrotaram beijos.

Pesadelos,
que venceram sonhos,
Ódio,
que venceu o amor.

Silêncio,
Que venceu a saudade,
Orgulho,
Que derrotou a união.

E então, luzes foram caladas,

por toda a escuridão.